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7/7/2010

Logística - Estratégia para obter vantagem competitiva.

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Assim como Marketing não é somente propaganda, Logística não é somente transporte. O conceito de Logística originou-se da palavra francesa “loger”, que significa alojar. A Logística migrou da área militar para o mundo dos negócios, inicialmente com o mesmo objetivo: “O produto certo, no lugar certo, na hora certa”. Atualmente ter um Departamento de Logística não é somente adequar os processos com essa denominação, mas é uma questão de estratégia. Segundo Michael Porter, uma das maiores autoridades em estratégia do mundo, Estratégia é fazer alguma coisa de diferente da concorrência, para obter vantagem competitiva. Portanto muitas Empresas estão utilizando a Logística e o Supply Chain Management (Gestão da Cadeia de Suprimentos), como principal diferencial em relação à concorrência. Segundo o autor Martin Christopher Logística é o processo de gerenciamento estratégico da compra, do transporte e da armazenagem de matérias primas, partes e produtos acabados (além dos fluxos de informação relacionados) por parte da organização e de seus canais de marketing, de tal modo que a lucratividade atual e futura seja maximizada mediante a entrega de encomendas com o menor custo associado.

 

O desenvolvimento da Logística Integrada e posterior evolução para o Supply Chain Management deve ser uma estratégia da Empresa e ter um compromisso da Alta Administração, pois outras tecnologias de gestão deverão ser incorporadas, portanto uma profunda mudança cultural, principalmente em relação a migrar da mentalidade de produto, para uma mentalidade de mercado, com conceitos de retenção e fidelização de clientes. As Empresas que pretendem ter a Logística como estratégia, tem que se nutrir de conceitos de Marketing, Gestão pela Qualidade Total, Lean Manufacturing, JIT, Benchmarking e certamente investir em Tecnologia de Informação. Porém qualquer investimento em TI deve ser acompanhado da mudança cultural, pois o ERP (Enterprise Resource Planning), Sistema Integrado de Gestão Empresarial, não muda o ambiente da Empresa e nem os comportamentos e atitudes das pessoas.

Um conceito que acredito muito é a vantagem competitiva de integrar as atividades, na mesma lógica da integração dos processos propostos pelos ERPs, e buscar com essa integração a possibilidade da incorporação de tecnologias que possibilitam trabalhar de forma enxuta com um sincronizado planejamento interno e da cadeia de abastecimento, possibilitando uma redução de ativos permanentes (prédios, empilhadeiras, equipamentos, etc.) e ativos circulantes (estoques). A Empresa precisa fazer a sua parte, e com os dados e indicadores obtidos através da TI, tomar decisões e  avaliar as atividades que agregam valor e o nível de serviço oferecido ao Cliente.

Dentro desse conceito de tomar decisões através de um Sistema Integrado de Gestão Empresarial, o processo logístico utilizará os recursos do MRP I (Material Requirements Planning), que se refere ao planejamento das necessidades dos materiais. O papel do MRP I é dar suporte à decisão sobre a quantidade e o momento de coordenar o fluxo de materiais. Um bom funcionamento do MRP I apresenta uma boa redução dos níveis de estoque, liberando capital de giro, espaço físico, flexibilidade e dinamismo para se dedicar e investir em novas linhas de produção, ou pesquisas e desenvolvimentos de novos produtos e serviços com esses recursos. O objetivo é criar o seguinte círculo virtuoso: redução dos níveis de estoques, aumento da capacidade de produção, aumento dos lucros e maior capacidade de investimento. Pode ser utilizado como dados de entrada; pedidos em carteira ou previsões de demandas passadas pela área comercial e marketing da Empresa. Com essas informações é possível, pela estrutura do produto calcular os materiais de diversos tipos, bem como a verificação do momento que serão necessários, substituindo estoque por informação de tempo (lead-time).

O MRP II (Manufacturing Resource Planning) se refere ao Planejamento de Recursos da Manufatura. Esse módulo permite que a Empresa faça uma gestão global da produção.

O ERP é uma evolução e muito mais abrangente que o MRP II, pois integra todos os processos mencionados aos processos administrativos e até mesmo aos sistemas de fornecedores e clientes. Não é desejável a utilização do MRP II sem a implantação do MRP I.

As utilizações desses sistemas exigem grandes investimentos e devem ser feitos gradativamente, junto com a evolução cultural dos recursos humanos. Os investimentos devem ser feitos em hardware, software, e a constante preocupação com o treinamento e desenvolvimento dos colaboradores envolvidos.

Os resultados são obtidos em médio prazo e muitas Empresas não conseguem concluir a implantação, devido à incapacidade de evoluir no modelo de gestão proposto.

É certo que uma Organização que deseja crescer e ter como vantagem competitiva a Logística Integrada e o Supply Chain Management deverá investir em um ERP, mas não pode deixar de avaliar seus processos, avaliar a cultura da Empresa e suas implicações e principalmente avaliar as competências de seus gestores e colaboradores dentro dessa estratégia.

 

 

Autor do Artigo: Prof. Carlos Alberto Rocha

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